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| Alberto da Costa e Silva - Prémio Camões 2014 |
Soneto a Vera
Estavas sempre aqui, nesta paisagem.
E nela permaneces, neste
assombro
do tempo que só é o que já
fomos,
um céu parado sobre o mar do
instante.
Vives subitamente em
despedida,
calma de sonhos, simples
visitante
daquilo que te cerca e do que
fica
imóvel no que é breve, pouco
e humano.
As regatas ao sol vêm da
penumbra
onde abria as janelas. E de
então,
vou ao campo de trevo, à tua
espera.
O que passa persiste no que
tenho:
a roupa no estendal, o muro,
os pombos,
tudo é eterno quando nós o vemos.
Alberto da Costa e Silva